sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Um peso


Que coisa esta que me cobre e abafa, como um grande manto negro que me tira a inocência e me enche de vontade de ser criança outra vez. Outros á minha volta tentam ser também eles crianças, tentam fazer de mim o adulto que lhes pega e afaga o rosto. Obrigam-me a dizer, obrigam-me a dar o passo em frente por eles, pois se houver um precipicio adiante serei eu a cair. Gostaria de ter essa habilidade tão bem desenvolvida quanto eles, seria eu a observa-los cair então. Cruel pensamento, cruel, cruelmente alegre á minha alma. Gostava sim, seria grandioso.

Este peso moral que me ata os tornozelos juntos, com elos de aço, e me impede de correr. Longe, fugir. Com mentiras conseguiria escapar, sem dúvida. Não fosse o perseguidor ter como reféns os que significam para mim a vida (ou tal acho... o que é a vida afinal senão o desejo de significado). Aponto à tempora e espero que o tambor esteja vazio. Um palpite, a lógica não serve de total apoio em questões sociais. Roleta russa jogada com decisões, tantas erradas como as balas que tenho cravadas no crânio.

Não quero ser eu a dizer, não tenho que ser eu! Porque esperam imóveis que seja eu? O que odeio mais que decidir é imobilidade psicológica. A minha responsabilidade como código de acesso, usem a vossa. Âncora que tantas vezes me impede de ascender, impediu... Larga-me, deixa-me ser por mim. Responsabilidade. Palavra feia, tantas silabas para disfarçar o que realmente é, uma corda, algemas. Um peso que me prende a tudo que não posso ver cair. Antes caia eu. Suicida viva, por vós. Para que sejam crianças.

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